Assembleia do Paraná aprova projeto para criar Dia Estadual da Música Eletrônica e reconhecer o movimento como um patrimônio cultural
Nesta terça-feira (11), a Assembleia Legislativa do Paraná aprovou o Projeto de Lei nº 369/2026, que reconhece o Movimento da Música Eletrônica como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado. O texto segue agora para sanção do governador.
Idealizado pela advogada e DJ curitibana Carolina Blicharski, o projeto nasceu do encontro entre sua experiência no Direito e sua vivência na música eletrônica, primeiro como público nas pistas e, posteriormente, também como DJ nos decks. A pesquisa, concepção e redação legislativa começaram em março de 2026. A proposta foi então levada por Blicharski à Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), com o objetivo de transformar demandas percebidas dentro da própria cena em uma iniciativa capaz de alcançar também as políticas públicas de cultura.
Na ALEP, a proposta foi acolhida pelo deputado estadual Dr. Antenor, que assumiu sua autoria parlamentar. A mobilização em torno do projeto reuniu mais de 600 apoiadores sociais, entre artistas, profissionais, empresas, marcas, coletivos e público. Entre eles está Mochakk, um dos principais nomes brasileiros da música eletrônica no cenário internacional.
ALÉM DO RECONHECIMENTO
O PL nº 369/2026 vai além do reconhecimento da música eletrônica como patrimônio cultural imaterial. O texto foi construído para contemplar o movimento de forma mais ampla, partindo do reconhecimento cultural para também identificar quem constrói essa cena e estabelecer caminhos para sua valorização, proteção e fortalecimento.
Além de reconhecer o Movimento da Música Eletrônica como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado (art. 1º), a proposta identifica os agentes culturais que integram esse ecossistema (art. 2º): Disc Jockeys (DJs), produtores musicais, Video Jockeys (VJs), produtores culturais, artistas performers, coletivos e núcleos criativos.
A inclusão desses agentes busca dar visibilidade às diferentes atividades que, juntas, tornam possível a existência e a continuidade do movimento, ampliando a compreensão da música eletrônica para além do artista que ocupa o palco ou dos eventos que chegam ao público.
O projeto também estabelece diretrizes para proteção, valorização e incentivo da cena, incluindo a preservação de sua memória, o apoio a espaços e iniciativas e a ampliação das possibilidades de inserção do setor em editais, mecanismos de incentivo e políticas públicas de cultura.
“Não basta dizer que algo é cultura se você não viabiliza caminhos para que essa cultura seja protegida, valorizada e alimentada. Era preciso olhar para quem faz a música eletrônica acontecer e criar possibilidades para que essa cena continue existindo, crescendo e se desenvolvendo”
Explica Carolina Blicharski.1º DE FEVEREIRO: DAS PISTAS À ECONOMIA CRIATIVA
O projeto também institui 1º de fevereiro como Dia Estadual da Música Eletrônica. A escolha faz referência à fundação do Sistema X, clube inaugurado em Curitiba em 1º de fevereiro de 1985, cuja programação já incorporava eurodisco e repertórios de flashback.
A escolha busca transformar uma referência da memória das pistas paranaenses em um marco anual de celebração, preservação histórica e desenvolvimento da cena.
Para além da memória, o Dia Estadual abre espaço para a construção de uma agenda cultural no Paraná capaz de estimular eventos, projetos e outras iniciativas ligadas à música eletrônica, movimentando também setores da economia criativa e atividades como turismo, hotelaria, gastronomia, comércio e negócios locais.
PROPOSTAS DISTINTAS, APROVADAS NA MESMA SESSÃO
Na mesma sessão, a Assembleia Legislativa também aprovou uma proposta relacionada ao Sarro, manifestação presente nas pistas de música eletrônica do Paraná. Apesar de compartilharem esse universo cultural, são projetos independentes e com objetos diferentes.
O Sarro não é objeto específico do PL nº 369/2026. O projeto idealizado por Carolina trata do Movimento da Música Eletrônica como um todo. Por essa abrangência, manifestações inseridas nessa cultura, como o próprio Sarro, podem estar compreendidas nesse movimento mais amplo, ainda que não sejam mencionadas expressamente no texto.
SOBRE A IDEALIZADORA
Carolina Blicharski é advogada, DJ curitibana e fundadora da Circuito Musical Brasil, empresa que atua na interseção entre cultura, negócios e Direito.
Após quase dez anos de atuação na área jurídica, passou a integrar sua experiência profissional à vivência como artista para desenvolver iniciativas voltadas ao fortalecimento da música eletrônica. Dessa interseção nasceu o PL nº 369/2026, idealizado, pesquisado e desenvolvido por Blicharski antes de ser levado à Assembleia Legislativa do Paraná.
Como DJ, constrói sua trajetória a partir da pesquisa musical, com sets que transitam por diferentes vertentes do house ao techno, tendo o groove como fio condutor. Sua atuação já passou por clubes, eventos, projetos culturais e espaços emblemáticos de Curitiba, como a Ópera de Arame.
À frente daCircuito Musical Brasil, amplia agora sua atuação conectando música eletrônica, cultura, Direito e desenvolvimento do setor.
Imagem de capa: Divulgação.
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