
Hoje, com o advento da tecnologia ligada à música eletrônica, ficou muito fácil ser DJ. CDJs touchscreen, botão sync, beat adjust, equalizadores automáticos. São inúmeras as funções dos equipamentos fabricados, que obviamente facilitam a vida de qualquer artista. Entretanto, existe outro ponto de vista na história, a de que eles fazem com que o trabalho de DJ perca a sua essência. Veja só, ninguém aqui está falando para voltarmos para o tempo do vinil, todavia qual a lógica da utilização da palavra ‘Disc Jockey’ se está tudo pronto e preparado para ser tocado? São mashups pré-gravados e, às vezes, até mesmo sets completos. A origem da palavra DJ se deu, sobretudo, da necessidade de alguém comandar o deck, acoplando músicas com a mesma nota através do próprio ouvido, de viradas surpreendentes, mashups ao vivo, etc. Qual foi a última vez que você viu alguém misturar duas ou mais faixas ao vivo?
No Lollapalooza Argentina, na apresentação de Oliver Heldens, a câmera focou no visor do CDJ e o que vemos é um mashup pré-gravado ‘new mix 03 vs Sexyback’. Não o culpo por isso, aliás, considero Oliver Heldens um dos melhores produtores da atualidade, mas quem de fato faz algo ao vivo nos dias de hoje?
Através de uma rápida pesquisa, não é difícil encontrar exemplos parecidos. Vejamos, por exemplo, o caso de Robin Schulz, que tocou 55 minutos exatamente iguais em dois lugares diferentes. Quando falamos iguais, queremos dizer mesmas faixas, mesmo tempo, mesma equalização, ou seja, nem 1 segundo de diferença entre a suposta ‘mixagem’ nos dois lugares. Se reproduzirmos os dois sets ao mesmo tempo, não podemos perceber nada de diferente entre eles, até mesmo o volume aumenta e diminui nas mesmas proporções em certos trechos da apresentação do artista. Parece até mesmo que é apenas um que está sendo executado.
Você pode escutar os áudios no link abaixo:
https://www.mixcloud.com/elementttt/rs-mayday/https://www.mixcloud.com/elementttt/rs-tml/
Eaí, qual a sua opinião sobre o assunto?
Sobre o autor

Matheus Carneiro
Matheus tem 23 anos e é perdidamente apaixonado por música eletrônica. Amante de festivais de música mundo afora, o jovem já esteve presente nos principais eventos do gênero, mostrando de maneira crítica o que se passa desde a pista até o backstage. Além disso, é o principal responsável pela cobertura do Play BPM no Nordeste brasileiro.Últimas notícias

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