A filosofia do CAOS: o que o clube representa para a cena eletrônica brasileira
Instalado em um galpão industrial revitalizado em Campinas/SP, o CAOS nasceu, em dezembro de 2017, para ser um lugar onde a música eletrônica fosse tratada como cultura, experiência e linguagem artística. Oito anos depois, essa filosofia se fortalece, consolidando o espaço como um dos pilares da cena eletrônica brasileira fora do eixo das capitais.
Falar de CAOS é falar de descentralização. Em um país historicamente concentrado em São Paulo e Rio de Janeiro, ajudou a reposicionar o interior paulista no mapa global da música eletrônica. Campinas deixou de ser um simples ponto de passagem para ser rota obrigatória para alguns dos artistas mais relevantes do planeta. E o público respondeu, invertendo fluxos e criando uma cena própria, orgulhosa e madura.
Agora, no próximo dia 24, a casa noturna celebra seu aniversário de oito anos, com o ícone holandês Patrice Bäumel como headliner da noite. O lineup da noite ainda contará com a presença da anfitriã Eli Iwasa e de nomes como Joyce Muniz, Magah, Pacs e P2.
Uma estética construída com coerência
A identidade do CAOS sempre foi pensada como um todo. Visual, som e conceito caminham juntos desde o início. O espaço interno funciona como uma instalação viva, onde cada abertura propõe uma atmosfera distinta, mas sempre reconhecível. Mutável, pulsante e narrativa, a iluminação dialoga diretamente com a música.
O som, por sua vez, nunca foi tratado como detalhe técnico. Desde os primeiros anos, a busca por excelência acústica foi parte central do projeto. Essa obsessão se materializa agora em sua fase mais recente: após uma reforma profunda, o clube retorna com palco ampliado, tratamento acústico refinado e um novo sound system L-Acoustics, reforçando a ideia de que ouvir bem é parte essencial de sentir profundamente. A nova cabine, maior e mais funcional, acompanha essa ambição, preparando o terreno para performances de alto impacto.
A nova iluminação natural cria um contraste renovado entre noite e dia, reforçando um dos momentos mais icônicos da casa: o amanhecer. O clube agora respira um outro tempo, mais aberto, vivo e iluminado por dentro.
A experiência também ganha novos fluxos com a reestruturação dos bares e com o mezanino, que chega em breve, ampliando a capacidade e criando novos pontos de vista dentro da pista. A casa noturna permanece fiel à sua identidade, mas agora mais confortável, mais funcional e mais preparado para a magnitude dos artistas que recebe.
Curadoria como manifesto cultural
Se existe um fio condutor na história do CAOS, ele se chama curadoria. Desde a noite inaugural com Carl Craig, passando por apresentações de astros como Laurent Garnier, Nina Kraviz, Marcel Dettmann, Ellen Allien, Dixon, ANNA e Ben Klock, até relações contínuas com artistas como Mind Against, o clube construiu sua reputação apostando em nomes que representam ideias, não modismos.
Essa curadoria nunca foi estática. Acompanhou transformações da cena, ajudou a impulsionar o techno melódico no Brasil, abriu espaço para formatos como “All Night Long” e soube equilibrar lendas internacionais com protagonistas nacionais.
Um espaço de pertencimento e posicionamento
A filosofia também se expressa fora da cabine. Desde cedo, a casa assumiu um posicionamento firme em relação a valores fundamentais da cultura eletrônica: diversidade, inclusão, respeito e liberdade. Em um ambiente historicamente marginalizado, o CAOS se consolidou como um espaço seguro, onde machismo, racismo e homofobia não têm vez.
Essa postura ajudou a formar uma comunidade. Frequentadores se veem como parte de um ecossistema que envolve artistas, equipes técnicas, bartenders, seguranças e produtores. Um organismo vivo que se reconhece, se respeita e se encontra na pista.
Impacto regional, relevância nacional
O impacto vai além das. O clube se tornou um dos motores da ebulição cultural da região de Campinas, dialogando com outros projetos, promovendo intercâmbios com festas e festivais, levando sua curadoria para fora da cidade e ajudando a profissionalizar o mercado local. Ao fazer isso, mostrou que o interior pode – e deve – ser protagonista.
Oito anos depois, a idealização de Eli Iwasa, Salin Miguel, Juka Pinsetta e Antonio Carlos Diaz é vista como símbolo de continuidade, algo raro em um mercado volátil. Um projeto que atravessou crises, pandemia, transformações de linguagem e comportamento, e que retorna reformulado, mas fiel à sua essência.
Celebrar os oito anos do CAOS é celebrar uma ideia: a de que a música eletrônica pode ser profunda, ousada e coletiva, mesmo longe dos grandes centros.
Serviço
CAOS 8 Anos apresenta Patrice Bäumel
Local: CAOS - Rua Luiz Otávio, 2995, Parque Taquaral, Campinas, SP
Data: 24/01 (sábado)
Horário: A partir das 22h
Atrações: Patrice Bäumel, Eli Iwasa, Joyce Muniz, Magah, Pacs e P2.
Ingressos: A partir de R$ 60,00 (+ taxas) via Byma
Sobre o CAOS
Criado por um grupo já conhecido por tratar seu trabalho e seu público como uma família, o CAOS brilhantemente revitalizou um galpão industrial na maior cidade do interior do Estado de São Paulo e o transformou em um refúgio da house, do techno e de grooves urbanos.
Em mais de quatro anos de existência, apresentou noites memoráveis com artistas da linha de frente do cenário nacional e internacional, como Pabllo Vittar, Linn da Quebrada, Urias, Emicida, Gabriel O Pensador, Laurent Garnier, Carl Craig, Nina Kraviz, Marcel Dettmann, ANNA, Marco Carola, Recondite e Ellen Allien.
Com o objetivo inicial de trazer os artistas que não cabem no premiado Club 88 — conhecido empreendimento premiado dos mesmos sócios, no Jockey Club da cidade —, o CAOS se tornou um grande propagador da boa música eletrônica através do trabalho de 90 funcionários, entre técnicos, seguranças, bartenders e outros profissionais, para assegurar a diversão de um público de cerca de 1.100 pessoas em cada abertura.
Imagem de capa: Divulgação / @jorgealexandre
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