No Dia Internacional do DJ, Tamy fala sobre longevidade, resistência e construção de identidade: “a valorização que existe hoje é fruto de muita luta de quem veio antes”
No Dia Internacional do DJ, a trajetória da DJ Tamy representa mais do que permanência na cena: simboliza resistência, construção de identidade e compromisso com a cultura. Nascida e criada na zona norte do Rio de Janeiro, ela soma mais de 20 anos de atuação na música, transitando entre o hip hop, a black music e as sonoridades brasileiras, criando uma assinatura que carrega território, ancestralidade e vivência.
A relação com a música começou ainda na infância. Filha de pais apaixonados por black music, Tamy cresceu em um ambiente onde o som era parte da formação afetiva. Incentivada pela mãe, estudou teoria musical, piano, percussão e violão, experiências que formaram a base técnica que sustenta sua carreira até hoje.
Assumir a música como profissão, no entanto, não foi uma decisão simples. Enquanto cursava a faculdade e mantinha um emprego formal, começou a se apresentar como DJ enfrentando dúvidas externas e internas.
“Decidir viver de música foi o divisor de águas da minha vida. Eu estava na faculdade, tinha trabalho fixo, e escolher a pista como caminho profissional parecia arriscado. No Brasil, muita gente ainda não enxerga a profissão de DJ como algo sólido. Mas eu entendi que precisava apostar no que fazia sentido para mim. Comecei tocando aqui e ali, ganhando espaço, até perceber que já estava vivendo exclusivamente disso.”
RevelouCom mais de duas décadas de carreira, DJ Tamy observa uma transformação profunda no mercado. Se antes o acesso era limitado, hoje a tecnologia encurtou distâncias, mas também aumentou a concorrência.
“A tecnologia democratizou o acesso, o que é positivo. Mas também criou um cenário muito saturado. Hoje qualquer pessoa consegue começar, mas permanecer é outra história. Por isso eu acredito muito em posicionamento. Não é só tocar, é saber quem você é, o que você representa e como se coloca no mercado.”
RefleteApesar do crescimento da cena, ela pondera que a valorização do DJ ainda é complexa.
A gente avançou em reconhecimento, sem dúvida. Mas quem abriu caminho enfrentou muito mais resistência do que se imagina. A valorização que existe hoje é fruto de muita luta de quem veio antes.”
Afirmou.Ao analisar o presente, Tamy aponta que a imagem ganhou protagonismo na indústria muitas vezes acima da técnica.
“Eu gostaria que a técnica fosse o principal critério, porque para mim ela é a base de tudo. Mas o mercado hoje está muito pautado na estética e na visibilidade. Existem pessoas que se apresentam como DJ sem dominar fundamentos básicos. E isso impacta a percepção sobre a profissão.”
Declarou.Para ela, longevidade não está ligada apenas à exposição, mas à coerência entre identidade e prática.
“Se você não tem verdade no que faz, o tempo cobra. A cena muda rápido, mas consistência e caráter artístico são o que sustentam uma trajetória.”
FinalizouEm 2024, lançou o EP “Baile da Tamy”, um manifesto musical com participações de MC WJ, Afrodite BXD, Izrra, Shury, Aísha, Loh e Pablo Bispo. O trabalho celebra as sonoridades periféricas e o protagonismo feminino na música urbana. Para 2026, DJ Tamy planeja novos lançamentos.
Imagem de capa: Divulgação.
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